
Ao tomarmos uma decisão na vida, escolher um caminho, seguir uma direção, muitas vezes nem imaginamos como nossa história começou, sempre quando duas pessoas se conheceram em lugar e hora todo nosso ser, ou nosso projeto de ser foi pensado, mesmo que inconsciente, entre os que seriam nossos idealizadores, junto com o nosso espiritual canalizando através do amor a concepção de nossa matéria.
Infelizmente algumas pessoas tomadas por uma força egoísta e na possibilidade de dividir a atenção das pessoas, as riquezas naturais e o ar que respiramos, não queiram assumir um novo ser que venha ao mundo, pois isso é muito para elas e assim não queiram ser responsáveis por uma colaboração com essa criação. O ser que vem ao mundo pequenino e inofensivo, mas que por natureza própria trás em seu choro o rompimento da força cósmica, num misto entre o biológico e o espiritual, de um lugar que estivemos não se sabe ao certo quanto tempo.
Seria muito pouco acreditar que o ser que venha ao mundo, possa aprender tudo, ou seja, seu conhecimento e sua espiritualidade possam terem sido forjados apenas no convívio com as pessoas que o cercam nessa identidade agora desempenhada. Como, por exemplo, podemos definir alguém que nunca estudou e nunca saiu de seu habitat, seu lugar de origem longínquo no meio da floresta é detentor de conhecimentos científicos e um ser riquíssimo na relação com o outro, de um respeito pelos animais e a natureza e o seu igual, relutando em não querer comer nada que tenha sangue por acreditar que faça mal ao seu organismo, cito esse exemplo do Sr. Afonso de 76 anos, que conheci à 10 anos atrás no Rio Tejo, próximo as aldeias Kaxináuas.
A arte de ser é sem dúvida uma habilidade onde todos são convidados a integrar, mas nem sempre todos conseguem captar um aprendizado, de possibilidades infinitas de como se relacionar consigo e com os outros em sua volta e o mundo, se desligando do apelo cada vez maior do mundo capitalista que aprecia a industrialização em série e com códigos de barra, vivendo modismos e se pretendo a padrões, que não leva em conta o seu ser e sim o seu ter.
Essa arte de ser é um convite ao amor e a paz, onde cada um possa ser responsável por um mundo melhor e mais fraterno.
Rio Branco – AC, 11 de dezembro de 2008.
Raiol Marcelo de Almeida Lima – ( Participante do Projeto a arte de ser, graduando em Psicologia da Faculdade da Amazônia Ocidental – FAAO)

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